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Porto Alegre do futuro, concretamente

Antes de se desincompatibilizar, o ex-prefeito de Porto-Alegre-é-Demais, José Fogaça, andou por aí divulgando aos seus (políticos e órgãos de imprensa) o projeto para a Copa de 2014. Tem também uma exposição na Usina do Gasômetro, que até quero ir ver, sobre a “Porto Alegre do Futuro”. Não, meus caros, não esperem metrô ligando as zonas Norte, Sul e Leste. Nem uma solução de verdade para o trânsito. Moradias dignas para a população pobre. Empregos. Educação decente para o nobre objetivo de receber bem os turistas. Nem isso, nada.

Os projetos bacanudos para o mundial envolvem prédios, principalmente. Tá, tem uma ciclovia lá, só pra constar, porque sinceramente duvido que venha a funcionar (juro, não estou agourando, vou ser a primeira a usar se der certo). O aumento no tratamento do esgoto é uma iniciativa positiva. Pena que tenha que depender da vinda de um evento desse porte para acontecer. (Acho o máximo os prefeitos se gabarem de fazer suas obrigações só porque está vindo uma Copa do Mundo.)

Além disso, o frustrado e já concluído camelódromo entra no pacote de projetos. (O que me faz lembrar da minha prima, que coloca embaixo do pinheirinho no Natal tudo que comprou para si nos últimos três meses, como se fosse presente, para parecer mais importante. O pinheirinho de Fogaça tem uns seis anos.)

Portais da Cidade. Faz-me rir.

Mas o mais interessante é observar o que a turma de Fogaça entende por modernização, que pode levar Porto Alegre ao “futuro”. Prédios. Altura. Concreto. Falta de ar.

O Cais da Mauá, que teve seus índices construtivos alterados e agora permite prédios de 100 metros, é citado, mas poderiam ser também tantos outros. O Beira-Rio, com seus hotéis, centro de convenções, super construções. A Arena do Grêmio, no Humaitá. O Pontal do Estaleiro, inesquecível. O futuro terreno da Fase, se não conseguirmos reverter o processo em curso (Quem quer entregar a área é o estado, mas quem tem que aprovar os índices construtivos, no futuro, é a Prefeitura. Mas não se preocupem, é fácil.). E como esses diversos prédios de impacto urbanístico, ambiental, paisagístico, estão crescendo por aí. O impacto pode até ser menor que o desses casos emblemáticos, mas existe.

Respiremos ar enquanto podemos. Daqui a pouco, vamos respirar obras, poeira. E depois, concreto. Só que esse fica.

——

As imagens que ilustram são respectivamente de Porto Alegre e de Fortaleza. Embora a cidade nordestina seja banhada por mar e não por lago, serve de exemplo. Um exemplo que não quero pra cá, obrigada.

  1. 11/04/2010 às 22:23

    E bota CONCRETAMENTE nisso…

  2. Nil
    20/04/2010 às 1:51

    Deus permita esse progresso em Porto Alre, abaixo o EcoXiitismo

  3. 20/04/2010 às 13:26

    É isso aí, deus permita o progresso das… hmm… 20 famílias que vão usufruir das “melhorias”. Enquanto isso, eu e o resto dos porto-alegrenses podemos ficar, sei lá, observando o progresso alheio. Deus permita, oxalá.

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