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PT 30 anos: uma história de luta – Parte II

Um dos grandes empecilhos do PT é inerente a toda a esquerda: a grande quantidade de tendências dentro do partido. São tantos nomes, que variam tanto, que já nem conheço todos.

Dessa enorme quantidade de tendências, surge uma disputa interna em que correligionários acabam é se engalfinhando. Há projetos bastante divergentes dentro de um mesmo partido. Digo que é a dificuldade que toda a esquerda enfrenta porque gera mais divergências quando a união se dá em torno de ideias do que quando ela acontece em torno de interesses. Nunca se vai encontrar duas pessoas que pensem absolutamente igual sobre qualquer assunto.

E os partidos têm de lidar com isso. Aceitar um grande número de propostas diferentes dentro de seu quadro e assim crescer, atingir as dimensões que o PT tem hoje, chegar ao poder; ou se fechar em torno de um projeto mais ou menos comum a um número reduzido de pessoas, que nunca vai crescer. É mais ou menos o caso do PSTU.

Então, apesar dos altos e baixos que falei, acho importante olhar para o PT como um partido que de certa maneira mudou a forma de fazer política no Brasil. Foi o primeiro partido que não surgiu a partir de uma elite, seja ela de esquerda ou de direita, porque mesmo a esquerda era sempre composta por uma elite intelectualizada. O PT surgiu de baixo, do movimento sindical, era o partido dos trabalhadores. Elitizou-se ao longo dos anos, sim. Mas ainda assim foi o responsável por essa inversão da lógica de estrutura partidária. Antes desse crescimento tão grande, o PT sempre realizava prévias, em que todos os filiados tinham a possibilidade de votar e escolher qual o melhor candidato do partido em qualquer eleição. Eram as bases que tomavam a decisão final.

Vejo o PT como um partido que deturpou muito de seu projeto inicial. Em parte por adaptação, porque o mundo muda e a política tem que mudar, tem que evoluir junto. Não se pode mais reivindicar as mesmas coisas de 1980, é óbvio. Mas em parte pela necessidade de chegar ao poder, que fez o partido se vender, em muitos casos. Mas vejo o PT como um partido de homens e mulheres de luta, acima de tudo. E acho que há muito mais motivos para comemorar esses 30 anos do que para lamentá-los.

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