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Posts Tagged ‘governo Yeda’

Déficit o quê mesmo?

03/09/2012 1 comentário

Deixa ver se eu entendi… O governo Yeda não fez nada pelo RS, cortou investimentos, não fez concurso, ajudou a deteriorar os nossos serviços públicos, tudo em nome de um suposto déficit zero, e entregou o estado com uma dívida maior?

O que está escrito aí em cima:

Uma conta nefasta

Se nada mudar nos contratos de renegociação das dívidas dos Estados com a União, o Rio Grande do Sul seguirá cambaleando economicamente e, em 2028, ainda deverá o montante de R$ 26,4 bilhões ao Planalto.

A situação é alarmante porque em 1998, ano em que foram firmados os acordos, o passivo financiado pelo governo gaúcho era de R$ 11 bilhões. Mesmo pagando cerca de R$ 2,5 bilhões por ano ao governo federal, o Piratini viu a bola de neve aumentar devido à incidência de juros que retiram a capacidade de investimento e só fazem crescer a dívida. Essas informações constam no relatório final dos trabalhos da Comissão Especial da Dívida Pública, que será votado às 11h de amanhã, na Assembleia. Em tempos de queda da taxa Selic, os contratos se mostram um profundo contrassenso se considerarmos que o Estado precisa enviar aos cofres federais 13% da sua receita líquida real. O juro é de 6% ao ano, acrescido da correção do IGP-DI. Desde a renegociação, em 1998, o contribuinte gaúcho já bancou R$ 30 bilhões em pagamentos. O ano de 2011 foi fechado com um valor residual a ser quitado de R$ 38,7 bilhões. Estrangulado pela dívida, o governo estadual se torna um mero administrador de folha de pagamento. Esmagado pelo acordo, o Rio Grande do Sul não paga o piso dos professores, não investe os 12% previstos por lei em saúde, não soluciona o colapso do sistema prisional.

Os governadores que se sucedem têm, basicamente, três alternativas. A primeira é cruzar os braços e esperar o tempo passar. A segunda é apostar na austeridade, com cortes de gastos em todos os setores, promovendo alguma economia que possa se transformar em investimento. Esse foi o caminho seguido por Yeda Crusius. A terceira e última é a aquisição de empréstimos no BNDES e em organismos internacionais para investir em obras. Esse é o caminho seguido por Tarso Genro, que ainda tenta se livrar das amarras da burocracia para aplicar adequadamente os cerca de R$ 5 bilhões tomados em financiamentos.

É um escolha audaciosa, se propõe a aquecer a economia, mas também arriscada, pois eleva o endividamento em período de crise. O Piratini espera que os investimentos decorrentes dos empréstimos atraiam novos empreendimentos que incrementem a economia. Assim, poderão ser geradas mais riqueza e arrecadação, garantindo o pagamento dos financiamentos em longo prazo. Pode soar otimista demais, sobretudo em tempos de recessão e timidez do PIB. O fato é que já passou do momento de o governo federal repactuar os contratos e adotar juros compatíveis com a realidade. Os gaúchos seguem pagando uma dívida já quitada.

– Atualmente, o próprio governo federal disponibiliza financiamentos com pouco mais de 1% ao ano. Do jeito que estão os contratos, virou agiotagem, uma afronta ao pacto federativo – afirma o deputado estadual Giovani Feltes (PMDB), presidente da comissão.

Antes que os governos estaduais decretem falência, alguma coisa precisa mudar.

Má vontade?

A Rosane de Oliveira disse no programa Atualidade, na Rádio Gaúcha, hoje de manhã, que a oposição de ontem, que agora é governo, faz as mesmas coisas que o governo de ontem. Quase nessas palavras. Não lembro da Yeda ter dado o maior reajuste da história do magistério. E também não vi o Tarso jogar a Brigada pra cima dos professores. Lembra do Cel Mendes, Rosane?

Criticar o governo, ok. Dizer que é igual ao anterior é mudar a realidade. É no mínimo má vontade.

Zero Hora dá um olé nos fatos

12/06/2011 1 comentário

Matéria da Zero Hora deste domingo (disponível para assinantes) faz uma curva pelos fatos, dá uma ajeitadinha para que a história fique um pouco mais interessante e conveniente. A página 8 diz no título que “Folga de Tarso gera polêmica”.

O texto já começa com uma maldade na primeira frase: “Com menos de seis meses de mandato, o governador Tarso Genro passou a maior parte da semana passada de folga em Madri, na Espanha”. Não é essa a matéria que o título anuncia. Segundo os critérios objetivos de notícia, que a Zero Hora costuma dizer seguir, o lead (abertura da matéria) deve conter a questão central que está sendo noticiada, o “o que”, “quando”, “quem”, “onde” e “como”. Não é isso que está sendo mostrado aqui.

Mas o olé nos fatos vem logo mais. Ao longo do texto, diz que “o PT criticou duramente a ex-governadora Yeda Crusius quando ela visitou o filho nos Estados Unidos”. Como mostrou a própria Zero Hora em 11 de abril de 2009, o cerne da polêmica girava em torno da não-transmissão do cargo durante a viagem, já que Yeda não dialogava com praticamente ninguém, nem com seu vice, Paulo Feijó (que também estava viajando, mas que certamente cancelaria o passeio para assumir o Piratini) e muito menos com o presidente da Assembleia, o petista Ivar Pavan.

Ou seja, a polêmica não é a mesma. Em 2009, não houve questionamento sobre o fato de a então governadora viajar a passeio durante o exercício do mandato. E uma viagem exclusivamente de turismo, ao contrário da de Tarso, que tirou uns dias de folga entre importantes compromissos de trabalho. A polêmica de dois anos atrás não existe hoje: o governador tem um ótimo relacionamento com seu vice, Beto Grill, em quem confia e a quem transmitiu o cargo sem qualquer tipo de constrangimento ou pé atrás.

No texto feito pelo mesmo jornal quando da viagem da ex-governadora, não dizia que ela “durante os dias de folga, assistiu a cinco filmes, fez caminhadas diárias e manteve contatos com a esquerda espanhola”. Se a viagem a turismo fosse algo de se questionar, o caso de Yeda seria um pouco mais grave, já que Tarso aproveitou para fazer política, que indiretamente pode até beneficiar o estado.

Zero Hora planta uma contradição no PT que não existe. E o faz com extrema maldade na escolha das palavras, querendo mostrar que o governador está lá curtindo a vida sem fazer muito caso do que acontece no estado. Neste caso, o partido de Tarso não foi incoerente, não fez no governo o que criticava na oposição.

Pluralidade?

E ainda nem entramos no mérito da diversidade de fontes, a tal pluralidade. Em 2009, o jornal consultou o presidente da Assembleia, Ivar Pavan, o secretário da Fazenda, Ricardo Englert, a assessoria do vice-governador, Paulo Feijó, o secretário do Planejamento, Mateus Bandeira, o chefe da Casa Civil, José Alberto Wenzel, o líder de bancada Elvino Bohn Gass (PT), o deputado Adão Villaverde (PT), o senador Pedro Simon (PMDB) – entrevistado na qualidade de ex-governador -, e o também ex-governador Alceu Collares (PDT), nesta ordem. Comentou ainda que Germano Rigotto, outro que ocupara o Piratini, não quis opinar.

No texto deste domingo, os entrevistados foram o líder da bancada do PSDB, Jorge Pozzobom, o líder da bancada do PMDB, Giovani Feltes, e o deputado Frederico Antunes (PP). Todos da oposição. Uma retranca, no pé da página, dá a posição de Tarso. Mais uma vez, tratamentos diferentes e a criação forçada de uma polêmica.

Diretor da Secretaria do Meio Ambiente do RS defende monocultura de eucaliptos

16/05/2011 20 comentários

Foi ainda em janeiro a nomeação do atual diretor do Departamento de Florestas e Áreas Protegidas (Defap) – atentem para o significado do nome do departamento! – da Secretaria de Meio Ambiente (Sema) do Rio Grande do Sul, por indicação da secretária, Jussara Cony. Integrante do PSB, Roberto Magno Ferron é engenheiro florestal e já havia publicado alguns artigos por aí.

Chamam a atenção dois em especial, de 2007, na revista do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do RS (Crea). Para quem não se lembra, a essa época o estado vivia um debate vigoroso na área do meio ambiente. A governadora Yeda Crusius – do PSDB, atual oposição, é sempre bom lembrar – contrariava os técnicos concursados do estado ao ignorar o Zoneamento Ecológico-Econômico da Silvicultura e liberar o plantio de eucalipto. Os funcionários, especialistas na área, haviam delimitado zonas em que o plantio era mais aceitável e outras em que traria enormes prejuízos ambientais, com diferentes gradações e alternativas produtivas.

Mas aquele governo, não canso de insistir, não estava exatamente preocupado com o meio ambiente. A sorte do nosso Pampa foi que uma crise econômica monstruosa pegou as papeleiras e frustrou suas expectativas de investimento por essas bandas. Se não fosse isso, até área de fronteira estaria tomada.

Mas voltando ao causo em questão, eu falava dos artigos de Roberto Ferron, integrante do atual governo – do PT -, escolhido pela atual secretária – do PCdoB – e filiado ao partido do vice-governador – o PSB. Pois ele, naquela época, escrevia que,

Por todos estes atributos amplamente positivos que beneficiam o ser humano, há de se defender e respeitar este excepcional e exemplar cidadão vegetal, chamado Eucalipto.

Na parte II, continua no mesmo ritmo:

Fica evidente e claríssima a tentativa de empurrar “goela abaixo” as restrições ao plantio de florestas, sem a opinião dos verdadeiros atingidos – a população da Metade Sul do RS.

Sem contar o absurdo:

Vale lembrar que o bioma pampa só é campo, porque o “boi” está sobre ele desde o tempo dos jesuítas, há mais de 300 anos, e impede a sucessão natural das espécies vegetais.

E a inversão dos fatos (não dá pra negar o senso de humor):

O Estado não pode ser refém de meia dúzia de tecnoburocratas que se acham acima da lei, ditando normas e regras ao seu bel-prazer, em detrimento da sociedade, sem contemplar as opiniões divergentes da comunidade técnico-científica, das entidades afins, dos representantes da população. Isso não faz parte do Estado democrático.

Pois eis que o Departamento de Florestas (!) e Áreas Protegidas (!!) adota o discurso dos empresários, não dos ambientalistas. E não quero dizer que o governo do PT tenha que adotar totalmente o discurso verde, mas a Secretaria do Meio Ambiente é a responsável por fazer o contraponto aos interesses econômicos que não enxergam a nossa natureza e a importância de conservá-la, diante da tentação do lucro – vale ainda lembrar que a silvicultura não distribui renda, antes a concentra ainda mais, ao contrário do que argumentou Ferron. Se o Defap, que deveria ser ferrenho defensor da preservação ambiental – ou seja, mata nativa -, não o faz, o que sobra pro resto?

Importante ressaltar que grande parte dos integrantes do governo ao qual Ferron pertence, à época na oposição, posicionou-se contrária à liberação da silvicultura. Agora no governo, nomeia uma figura identificada com a postura tucana. Vai entender.

Depoimento de uma professora sobre a educação no governo Yeda

01/04/2011 2 comentários

Comentário que ouvi de uma professora da rede estadual ao sair da assembleia regional do Cpers de Palmeira das Missões ontem (31), que recém aprovara a proposta do governo do estado de reajuste de 10,91% sem mexer no Plano de Cargos e Salários, atendendo a uma reivindicação da categoria:

“Vou dizer uma coisa pra vocês: esse governo que saiu era déspota, autoritário. Aquela mulher era uma reacionária. Nunca na minha vida, nem no governo militar, eu vi um governo fazer tal atrocidade com os trabalhadores. Nunca deixei de cumprimentar um secretário da Educação, mas aquela mulher eu não cumprimento. E se eles não tivessem saído, teriam conseguido o intento deles, que era acabar com o nosso plano de carreira. Não tenho vergonha de dizer: fiz campanha e votei no Tarso.”

Ela se referia à ex-governadora Yeda Crusius (PSDB), que, é bom lembrar, ordenou que a tropa de choque enfrentasse com violência uma manifestação pacífica de professores em 2008, e de sua secretária de Educação, Mariza Abreu.

Governo substitui tropa de choque por diálogo

23/03/2011 1 comentário

Em agosto de 2009, um agricultor sem terra foi atingido com tiros de espingarda calibre 12 nas costas, em uma ocupação em São Gabriel. Seu nome era Elton Brum. No momento em que foi morto, cuidava das mulheres e crianças de seu acampamento. Não viu quando o policial disparou sua arma e tirou a vida de um homem pelas costas.

Os tiros saíram da espingarda de um policial da Brigada Militar. O enfrentamento violento foi ordenado pelo governo do estado, então comandado por Yeda Crusius. A truculência já virara marca de seu governo no trato com os cidadãos. Fora utilizada em manifestações pacíficas na capital e no interior, de diferentes classes de trabalhadores. Claro, apenas contra trabalhadores.

Em 2011, o governo é outro. Tarso Genro assumiu o Piratini com o compromisso principal exatamente com aqueles contra quem Yeda dedicava sua truculência. Os trabalhadores estão no nome do partido do governador. Na Praça da Matriz, as manifestações não estão mais restritas pela grade colocada por Yeda. No campo, as manifestações não são mais reprimidas pelas forças truculentas de tropas de choque.

Ontem, dia 22 de março, o governo negociou com os trabalhadores rurais sem terra que ocupavam a Fazenda Palermo em São Borja. Com diálogo, foi consensuada a saída do movimento da propriedade particular e pré-acertado seu assentamento. Ali, onde hoje mora uma única família, deverão produzir alimentos 64 famílias de agricultores.

Os mesmos que acusam a ocupação de São Borja – que não registrou nenhum ferido – de violenta são os que nada disseram quando Elton Brum foi covardemente assassinado.

O que realmente assusta

Dias atrás a colunista-mor do grupo RBS alertou para a falta de alarde (sic) em torno do fato de o governador ter usado um boné do MST. O que é pior: ocupar um latifúndio improdutivo na luta pela redistribuição de terra, para que todos tenham mais, ou assassinar trabalhadores sem condições de defesa? Em abril, faz 15 anos que os mandantes do massacre que matou 19 agricultores em Eldorado dos Carajás estão impunes.

No Rio Grande do Sul, a grande diferença do governo Tarso para a maioria dos governos anteriores – “com exceção de um ou dois”, como disse Tarso outro dia – é que o atual dialoga com todos os setores da sociedade e não tem medo de melindrar os grandes empresários ao mostrar sua identificação com a causa dos trabalhadores que durante séculos lutam pelo direito à terra. Uma terra que foi dividida arbitrariamente. Que um dia foi tomada, com o único critério do interesse privado. Uma terra que outrora era pública, coletiva, e que se tornou privada devido à “esperteza” dos que chegaram primeiro.

Os agricultores não ocupam terra e ficam meses ou anos acampados porque querem, como bem diz o deputado Edegar Pretto. A ocupação é uma forma legítima de fazer pressão política para lutar pela reforma agrária. Além do diálogo constante e respeitoso, a melhor forma de acabar com as ocupações é fazer uma reforma que quase todos admitem necessária, mas que os grandes e poderosos lutam para impedir – por mesquinhos interesses privados. É entender que a reforma agrária vai distribuir renda e, como consequência, diminuir o êxodo rural, melhorando também as condições de vida nas cidades, especialmente nas maiores. Entender que redistribuir as terras improdutivas de forma mais justa gera todo um desdobramento social que atinge grandes parcelas da população, melhorando a vida dos que mais precisam do Estado.

Edegar Pretto lembrou hoje na tribuna da Assembleia que em abril vai fazer 15 anos que 19 trabalhadores rurais foram mortos no que ficou conhecido como massacre de Eldorado dos Carajás. Até hoje, nenhum dos mandantes foi preso.

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