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Eleições 2012 e os rumos do PT gaúcho

08/10/2012 13 comentários

A tal festa da democracia acabou ontem em Porto Alegre, no primeiro turno e com um resultado acachapante. O processo eleitoral de 2012 não resultou em uma situação confortável para a esquerda na capital e para o PT gaúcho.

Não se pode falar em derrota do partido em nível nacional e sequer estadual porque disputa com boas chances de vitória a importantíssima São Paulo, garantiu Márcio Pochmann, que começou com 1%, no segundo turno em Campinas e aumentou o número de prefeituras, no RS e no Brasil. E, afinal de contas, é o partido da presidenta da República e do governador do estado. Mas teve derrotas importantes, como o terceiro lugar de Humberto Costa no Recife e a vitória de Marcio Lacerda em Belo Horizonte, deixando um dos melhores quadros do partido, Patrus Ananias, fora até de um segundo turno.

O resultado na capital gaúcha não é surpresa, o que não quer dizer que seja bom. Os petistas do estado nem sentiram muito o terceiro lugar que não atingiu os dois dígitos no percentual de votos, porque já contavam com um desempenho pífio e a vitória do trabalhista, ex-PT e hoje aliado com a direita, José Fortunati. Isso em uma cidade acostumada a ver o PT partir de 30%, onde o projeto político que já completa dez anos de Presidência da República ganhou corpo, fez bonito e chamou a atenção. Agora termina a eleição com o candidato a prefeito em terceiro lugar, com míseros 9,64% das intenções de voto e com a representação na Câmara menor (ainda que tenha visto uma positiva renovação nos nomes, elegendo candidatos qualificados). A cidade que criou o Orçamento Participativo, revolucionando o conceito de democracia ao mostrar que ela é muito mais do que o voto na urna e a representação, e que deu vida ao Fórum Social Mundial viu três candidatos disputarem a eleição com um discurso muito parecido. Um discurso asséptico, desideologizado. A ponto de o eleitor não conseguir enxergar diferenças significativas entre eles.

Cabe à esquerda e principalmente ao PT fazer com que o resultado das urnas não seja de todo mau, se aproveitar o momento para fazer uma ampla e profunda reflexão.

Nos partidos que se reconhecem à esquerda no espectro político, faltou conteúdo ideológico na condução das campanhas, ainda que tanto Manuela D’Ávila quanto Adão Villaverde tenham apresentado programas de governo mais identificados com os princípios da esquerda. A exceção fica com o PSTU, que, nos debates entre candidatos que foi oportunizada a participação de Erico Correa, provocou o debate mais politizado de forma competente. Mas é sintomático que esse debate tenha sido proposto apenas por um partido que disputa eleições apenas para fazer o confronto, sem pretensão de se eleger.

O PSOL optou por focar a campanha na crítica a situações específicas, deixando o debate político macro de lado e adotando o discurso fácil e despolitizante que tenta há décadas convencer o cidadão de que políticos são todos iguais. Ironicamente, fez coro com a grande mídia. A postura não fomenta o debate de fundo, que passa pela estrutura política, e favorece a direita, que é quem se privilegia da despolitização. O partido sofreu ainda com a injustiça (ainda que legal) contra Luciana Genro, impedida de concorrer a vereadora. Mesmo com a majoritária pequena, poderia ter ampliado a representação na Câmara. Manteve os combativos Pedro Ruas e Fernanda Melchionna.

O PCdoB apostou alto e começou o jogo acreditando na vitória. As contradições colocadas nas alianças contribuíram para a queda livre que terminou com as chances de Manuela. O discurso igualmente desprovido de conteúdo político encerrou o sepultamento da candidatura majoritária, que saiu de um primeiro lugar em pesquisas pouco depois de iniciada a campanha para tímidos 17,76% nas urnas. Ainda assim, o partido saiu melhor do que entrou, criando uma representação legislativa com duas vagas na Câmara.

Quem sai enfraquecido mesmo é o PT. Não acho que deveria ter coligado com Manuela, mas que deveria ter ido para a disputa para fazer um debate político de verdade. Uma candidatura que começou pequena, sem muito a perder, não deveria ter medo de promover uma discussão profunda sobre cidade, sobre o espaço público e sobre a própria política, valorizando a cidadania e defendendo a ampliação radical da democracia. Se tivesse se proposto um discurso de esquerda de verdade, teria certamente arregimentado mais votos nas urnas que ontem computaram a vontade do eleitor gaúcho. Em vez disso, manteve-se no raso, não fez o enfrentamento ao projeto político que aí está e deixou de evidenciar os profundos problemas que a cidade enfrenta. O candidato, ainda que extremamente esforçado e um deputado muito competente, era fraco. Sofria da falta de carisma e da dificuldade de articular um discurso de esquerda que empolgasse. A candidatura sofreu ainda com a ausência da presidenta Dilma Rousseff na campanha, o que acho extremamente lamentável, reflexo de um projeto que muitas vezes é mais pragmático que ideológico.

Mas essa é uma questão pontual, de uma eleição específica. O problema do partido em Porto Alegre e em algumas outras grandes cidades do estado é mais amplo e não é novo. O PT sofre da falta de lideranças novas. Permanece como referência quase absoluta Olívio Dutra, que é um grande lutador, mas que foi eleito prefeito há já distantes 23 anos e governador há 14. Além dele, ainda destacam-se o governador Tarso Genro e o deputado estadual e ex-prefeito  Raul Pont. Os mesmos de 20 anos atrás. A única novidade (que não é tão nova, mas mais recente) é o prefeito de Canoas, Jairo Jorge, que se reelegeu com esmagadores 71,27% dos votos e se apresenta como provável substituto de Tarso na tarefa de concorrer ao Piratini. Mas vale refletir se sua estratégia política, mais ao centro e aglutinando em sua coligação 17 partidos em que o mais de esquerda é o próprio PT e que inclui PCdoB, PMDB, PTB e o direitista partido da vice, o PP.

Urge a necessidade de se reinventar, de criar quadros novos para tempos novos, mas sem perder a identidade e a motivação que levou à criação do partido. A defesa dos direitos dos trabalhadores, da garantia da cidadania e da ampliação da democracia devem continuar presentes e norteando a atuação do PT, mas dialogando com as profundas transformações por que passa o mundo, que vão das novas possibilidades – inclusive de fortalecimento democrático – trazidas pelo avanço da tecnologia à crise sistêmica que enfrentamos e que precisa ser discutida, com a proposição de alternativas.

Se o governo do estado se coloca o desafio de incorporar essa tecnologia na construção de seu projeto e de discutir as revoltas mundo afora e a descrença nos partidos políticos, também absorve práticas contraditórias e muitas vezes condenáveis, na ânsia de garantir a aprovação dos meios de comunicação e de parte conservadora do eleitorado. A postura que assumiu diante dos abusos da Brigada Militar ao reprimir uma manifestação no Centro de Porto Alegre não tem justificativa que se enquadre com um projeto de esquerda e não seria imaginável em um PT como o que governou o estado com Olívio Dutra em 1998. Imediatamente após a denúncia de abusos da Brigada Militar, o posicionamento do governo veio à tona defendendo a atuação do órgão e criticando os manifestantes. Ficou para depois das eleições a nota em que o governador determina a apuração do ocorrido. Ainda difere de um governo de direita, como o de Yeda Crusius, que responde sem remorso pela morte do sem-terra Elton Brum, mas decepciona quem defende uma política voltada para a cidadania.

O partido precisa, sobretudo, fortalecer o debate interno, a construção de ideias e teorias. Precisa produzir conteúdo sobre as condições em que se encontra e sobre as transformações sociais que acontecem no Brasil e no mundo. O PT e os outros partidos que igualmente se dizem de esquerda precisam interpretar a sociedade e a si mesmos de forma contínua e, a partir disso, formular um projeto político que se discuta permanentemente, diante dos acontecimentos. Isso não significa adaptar-se aos fatos e aceitá-los passivamente, mas propor alternativas coerentes diante da realidade e da constante transformação social.

Fotos: Ramiro Furquim/Sul21 e Michel Cortez/Sul21

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Está tudo invertido no mundo

05/10/2012 6 comentários

Já tinha até desistido de escrever um post específico sobre a privatização de espaços públicos em Porto Alegre, já que abordei um pouco do tema aqui e aqui. Mas os acontecimentos de ontem à noite, que somam a política privatista da Prefeitura com a truculência da Brigada Militar (do governo do estado), me deram comichão, e aqui vão alguns comentários…

Pra começar, essa história está errada desde o princípio. A agressão de ontem aos manifestantes que derrubaram o boneco da Coca-Cola foi só o cúmulo do negócio. Um absurdo total, mas que é consequência da escolha anterior.

Ao leitor que não é daqui, explico… Porto Alegre tem, na frente do Mercado PÚBLICO, um largo (que leva o nome de um jornalista das antigas, Glênio Peres) com características históricas da nossa colonização açoriana, como o piso de paralelepípedos. Várias coisas aconteciam ali, de característica popular. Era um espaço de manifestações do povo, de comícios de partidos e de atividades que incentivam a economia solidária e a agricultura familiar, como feira de produtos. Sempre aconteceu ali uma tradicional feira de peixe às vésperas da Páscoa, por exemplo.

Recentemente, parte desse espaço público foi entregue à iniciativa privada, com a justificativa de que embelezaria a cidade. A Coca-Cola/Vonpar construiu um chafariz que tem 19 pontos de saída de água ao longo do largo e instalou um boneco inflável gigante com o tatu-bola que é símbolo da Copa do Mundo (outro negócio em que circula uma grana violenta que a gente não vê, mas isso fica pra outro dia). Algumas das manifestações que antes aconteciam continuam acontecendo normalmente, mas outras foram prejudicadas, sem falar no cartaz da Prefeitura, na entrada do prédio (ao lado do Mercado Público e do Glênio Peres), que leva o símbolo da Coca-Cola.

Aí chegamos a ontem. Nesta quinta-feira, dia 4 de outubro de 2012, um pessoal saiu ta frente da Prefeitura, em uma manifestação pacífica. O mote era a alegria e a defesa era a dos espaços públicos, como o Largo Glênio Peres e o também privatizado auditório Araújo Vianna (espaço de shows pertencente a Porto Alegre que foi concedido à Opus e agora cobra ingressos do nível de iniciativa privada, elitizando a cultura). Protegendo o boneco tinha, segundo reportagem do Sul21, mais de 20 guardas municipais, 19 policiais militares, quatro viaturas e três motos. Ainda assim, derrubaram o tatu. Como resposta, foram reprimidos violentamente. As fotos com o pessoal sujo de sangue impressionam.

E aí vem a triste constatação de que está tudo errado no mundo. A Prefeitura compra o discurso privatista e cede parte do patrimônio PÚBLICO à inciativa privada, prejudicando atos populares. A Brigada Militar, do governo estadual, reprime os manifestantes. Mas o problema vai muito além, está na sociedade. Critiquei a repressão aos manifestantes e vieram com o discurso classe-mediano me perguntar se eu gostaria que destruíssem meu carro. Discurso vazio de defesa da propriedade privada frente à vida. Não, se eu tivesse carro, não gostaria que o destruíssem. Mas esse carro não seria um patrimônio público que me tivesse sido entregue. E nunca, em hipótese alguma, eu defenderia que batessem na pessoa que destruiu um bem material.

Não concorda que destruam o boneco? Ok, aceito o argumento. Mas nada disso justificativa a agressão.

Acontece que as coisas estão na frente das pessoas, e isso não tem o menor sentido. Daqui a pouco vamos viver em um mundo só de coisas, sem pessoas. Ou com pessoas se odiando em nome de coisas. Um mundo de ódio, de extremos. Que mundo é esse, deus do céu? Eu sou contra a privatização porque defendo que o mundo é das pessoas, não das coisas. E que entregar o patrimônio que é de todos para muito poucos ajuda muito a colocar as coisas em primeiro lugar.

Um mundo que incentiva a intolerância é um mundo triste.

Contra esse mundo aí, porém, temos armas poderosas. Podemos usar o amor e a tolerância, em vez do ódio. Ainda acredito que vai funcionar.

Fotos: Ramiro Furquim (as duas primeiras) e André Ávila. Mais fotos aqui.

A diferença de um projeto popular

02/10/2012 3 comentários

Hoje faltam cinco dias para o primeiro turno das eleições municipais de 2012. Falta pouco tempo para elegermos nossos futuros prefeitos e prefeitas, mas antes precisamos apontar algumas questões.

A essa altura do campeonato, não se pode dizer que os candidatos mais bem colocados, acredito que em todas as grandes cidades do Brasil, tenham  diferenças radicais. Sua candidatura está sujeita às regras do jogo político que está colocado, e eles só chegaram a uma boa posição nas pesquisas se submetendo a questões como financiamento privado de campanha, alianças etc.

Embora estejam todos presos ao mesmo jogo e acabem adotando posturas semelhantes em muitos casos, há, sim, diferenças fundamentais. Diferenças de projeto político. E aí foco em Porto Alegre, que é onde moro, onde voto e de onde me sinto apta a falar.

Vou retomar um período meio antigo, que muita gente já cansou de ouvir falar, para ilustrar essas diferenças. Porto Alegre teve 16 anos de administração popular, de prefeitos petistas. Popular. Do povo. Não só porque visava aos interesses do povo, mas porque era feita por ele. Trabalhadores na Prefeitura.

Nesses 16 anos, a vida melhorou no cotidiano do porto-alegrense. O transporte público era referência, os parques eram valorizados, a cidade foi pioneira na coleta seletiva. Mas, acima de tudo, a administração foi extremamente ousada e colocou o cidadão no centro do debate da cidade. Ele passou a dizer onde a comunidade estava precisando de investimento, como investir o orçamento. Não só opinar, mas decidir. O Orçamento Participativo já parece tema vencido, mas é importante citá-lo porque ele é sintomático desse projeto político de que eu falava mais acima.

Foi esse Orçamento Participativo, além da forma de lidar com o bem público e com a condução da administração da cidade, que chamaram a atenção de gente de vários lugares do mundo. O Fórum Social Mundial foi consequência de uma política diferente feita aqui, que experimentava uma relação nova com a cidade. Que democratizava a democracia. Movimentos sociais do mundo inteiro se reuniram então em Porto Alegre. Usavam do exemplo daqui para dizer que um outro mundo era possível, sim.

O projeto se desgastou e parou de trazer novidades. Somado a isso e a erros políticos, uma campanha insistente e sistemática dos meios de comunicação contra o Partido dos Trabalhadores e os principais movimentos sociais (só o PT tem antipetismo!) acabou por tirar esse projeto político da Prefeitura, substituindo-o por um modo mais tradicional de fazer política, em que o prefeito é eleito pelo povo, mas administra sem ele.

Nesse meio tradicional, aqui ou em qualquer lugar, pode até acontecer de ser eleito um cara competente, bem intencionado. Mas aí entra a diferença na forma como lida com a coisa pública e como enxerga a sociedade, especialmente no âmbito municipal. Se ele não enxerga o protagonismo em cada cidadão, ele limita sua capacidade de agir, de transformar a realidade de verdade.

Em Porto Alegre, os governos do PT foram substituídos por uma parceria assim tradicional, mas não necessariamente tão bem intencionada. A dupla Fogaça-Fortunati responde por inúmeros retrocessos, que começam por tirar força do OP e continuam em uma gestão medíocre da cidade. A dupla Fo-Fo não melhorou a sinalização, piorou o transporte público (a Carris está quebrada), ajudou a aumentar a sensação de insegurança, praticamente acabou com a coleta seletiva (o lixo se espalha pelas ruas), reduziu a importância da cultura…

Esse projeto de que falo é o mesmo que, em nível nacional, transformou o país, como todos já estamos cansados de saber e viver.

Público x Privado

Observando especialmente o perfil de José Fortunati, que as pesquisas indicam ser o vencedor das eleições, notamos uma diferença bem grande. Ainda que o prefeito não tenha privatizado empresas públicas, como fez o projeto neoliberal que se opõe ao projeto dos governos Lula-Dilma, ele fez concessões que retiram espaços públicos de quem é de direito, dos cidadãos de Porto Alegre, que privatizam esses espaços. A parceria público-privada com a Opus pode ter deixado o Araújo Vianna um baita espaço pra shows, mas agora sua utilização não visa mais o interesse público. Afinal, esse é o papel da administração municipal, mas não da empresa privada. Resumindo, as atrações que ocorrerem ali terão o preço colocado de forma a dar lucro à empresa. O cidadão não vai mais ter acesso à cultura como um direito, vai estar submetido aos interesses do mercado, que sempre privilegiam a elite.

Da mesma forma, o Largo Glênio Peres, cujo episódio do chafariz no comício de Adão Villaverde ficou emblemático. E é a mesma mentalidade que privilegia o carro ao transporte público, que governa para quem não precisa da mão do Estado.

A cidade é onde a vida acontece. A administração municipal influencia no dia-a-dia do cidadão e que afeta sua qualidade de vida. Por isso, ela precisa ser executada voltada para ele, para as necessidades de sua população.

Eu não voto em candidato, eu voto em partido, voto em projeto. E voto no único partido que tem projeto para toda a sua população, que privilegie os que mais precisam. Voto no único partido dos trabalhadores.

Chafariz no comício é consequência da privatização do espaço público

27/09/2012 12 comentários

Hoje, 27 de setembro, a dez dias das eleições municipais de 2012, tivemos comício da Frente Popular no Largo Glênio Peres, Centro de Porto Alegre. Para quem não é daqui, o Glênio Peres é aquele espaço público que serve, no dia a dia, de passagem para milhares de pessoas, mas que também é palco de manifestações populares, de feiras de agricultura familiar, de ocupação. Um espaço do povo.

Nem tanto.

No meio do comício, enquanto falava a ministra da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, militantes receberam uma visita inesperada. Água. E ela não vinha do céu, mas do chão. A novidade anunciada tempos atrás pela Prefeitura, ocupada por José Fortunati desde que José Fogaça renunciou para se candidatar sem sucesso ao governo do estado, mostrou pela primeira vez claramente o prejuízo que causa.

O chafariz – pontos de água espalhados em uma linha quase reta – está em espaço público, mas foi colocado pela Coca-Cola. A privatização do espaço tem consequências bem graves, e diz muito da forma de administrar a cidade – bem diferente da administração popular. Consequências que vão bem além dos militantes molhados, do outro que caiu ao tropeçar tentando escapar da água e do material de campanha encharcado.

Prefiro não apostar na possibilidade de os correligionários do prefeito Fortunati serem tão contra o espírito democrático a ponto de ligar os chafarizes de propósito. E na verdade não importam muito as desculpas que a Prefeitura possa dar (segundo a Rádio Guaíba, o coordenador do programa Viva o Centro, Glênio Bohrer, disse haver um acordo para que não fossem ligados durante o comício e que desconfia de sabotagem, mas poderiam dizer que ligava automático, sabotagem, acidente, responsabilidade da empresa, não importa). Não importa, porque só têm duas opções: ou o chafariz é responsabilidade da Prefeitura ou da Coca-Cola. O fato é que estamos falando de um espaço público, que deixou de ser.

No momento em que a Prefeitura entrega nas mãos de empresas privadas a recuperação e a administração de lugares do povo, ela está dando um recado claro: esse espaço deixou de ser do cidadão. Ela sujeita os habitantes do município às vontades de uma entidade que se move em função do lucro. E isso não é uma ofensa, é o pressuposto básico do capitalismo, cujo espírito, segundo Max Weber, é não simplesmente o lucro, mas a acumulação de dinheiro. Exatamente o oposto do que deveria ser o pressuposto de uma administração pública, que seria o de prover o bem estar da comunidade.

É esse modelo que vamos deixar ocupar o Paço Municipal mais uma vez?

Zero Hora exclui Villa da disputa

27/09/2012 1 comentário

Na edição de hoje, 27 de setembro, a dez dias das eleições, Zero Hora apresenta as estratégias de apenas dois candidatos à Prefeitura de Porto Alegre. Exclui Adão Villaverde, o candidato do PT, terceiro colocado, que, segundo pesquisa publicada no jornal Sul21 ontem, está tecnicamente empatado com Manuela D’Ávila. Dá a entender que a disputa de verdade se dá apenas entre os dois que a aparecem em primeiro lugar nas pesquisas e com isso finge desconhecer a história política da capital e do estado, dada a viradas nos últimos dias de campanha. Não tem outra descrição para isso que não seja absoluta má fé.

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Categories: Jornalismo, Política

Porto Alegre precisa de planejamento, não só de “obra, obra, obra”

18/09/2012 3 comentários

Já viu aquela propaganda que diz que o “Fortunati é um prefeito de obra, obra e obra”? Já pensou a respeito?

Governar não é simplesmente fazer obra, como quer fazer crer o atual prefeito de Porto Alegre e candidato à reeleição. Obra, na verdade, qualquer um faz.

Não é que não devamos fazê-las. Há muitas obras importantes, extremamente necessárias. Mas elas são consequência de um planejamento urbano, de pensar a cidade a longo prazo, em toda a sua complexidade. “Fazer obras” não é programa de governo. Simplesmente “fazer obras” não exige grande conhecimento sobre a cidade e não necessariamente traz resultados positivos pra sua população.

Elas têm que estar previstas em um programa de governo, mas não ser o seu centro. Fazer obras só pra fazer não significa nada. Temos que pensar em fazê-las para atingir algum objetivo, como diminuir as chances de alagamento, melhorar a mobilidade etc.

Porto Alegre, como qualquer cidade razoavelmente grande (se bem que mesmo as pequenas), precisa de planejamento urbano. Precisa de gestão. Só assim é possível de fato transformar a vida das pessoas. É entendendo a cidade em toda a sua complexidade e agindo de forma integrada entre todas as áreas e de olho no futuro não tão próximo que poderemos fazer obras realmente eficientes. E isso sim é difícil. No meio desse caminho, obras serão feitas, inevitavelmente. Mas obras dentro de um contexto, previstas em um planejamento urbanístico racional.

Muitas obras, aliás, são até um problema para a população. Trazem mais transtornos do que benefícios. Podem desumanizar uma região, por exemplo. Prejudicar o convívio social e causar empecilhos para o desenvolvimento de uma cidade com mais qualidade de vida. Então, chegar cavando buraco só pra não deixar como está pode ser bem ruim, além de um desperdício enorme de dinheiro (conhecem a história da obra com uma máquina subterrânea que destruiu casas no bairro Cristal e que segue sem solução?)

Com tudo isso, não quero dizer que obra não seja importante. Mas ela não pode ser tratada como o elemento central de um governo. Ela é extremamente válida quando se integra nesse planejamento urbano, quando faz parte de um projeto de desenvolvimento pensado para melhorar a vida do cidadão.

Porto Alegre precisa ser olhada como um ser orgânico, em que todas as suas partes interagem. A partir disso, é preciso que se preveja o futuro da sociedade, com bases em pesquisas e estudos. Depois, tem que se fazer um planejamento. Avaliar como aquele todo pode interagir de forma mais saudável, respeitando os seus cidadãos e valorizando-os.

Tão definido esse jovem casal

13/09/2012 2 comentários

 

 

“Um jovem casal liberal” é o oposto de um jovem casal realista?

Ou de um jovem casal monarquista?

Talvez de um jovem casal protecionista?

Quem sabe de um jovem casal conservador?

De um jovem casal estatista?

Ou de um jovem casal desenvolvimentista?

Ou anarquista?

Comunista?

Progressista?

Ou otimista?


As imagens foram surrupiadas da Zero Hora de 12 de setembro de 2012, caderno Casa&Cia.

 

 

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