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Trabalhar de graça pra Fifa?

Em algum momento decidiu-se que trabalhar de graça pro pessoal que mais ganha dinheiro no mundo e sem ajudar ninguém que precise de ajuda era legal. Daí se criou o programa de voluntariado durante grandes eventos esportivos, que virou notícia no Brasil semana passada com a seleção do grupo de desapegados do mundo material que vão contribuir para que mais dinheiro da Copa do Mundo de 2014 migre para os bolsos de quem já não tem mais bolsos para enfiar tanto dinheiro.

Virou até capa de jornal por aqui o pessoal que se inscreveu para ser voluntário da Copa em todo o Brasil, principalmente os gaúchos (claro), e que ainda nem foi selecionado. Nas redes sociais, a galera comemora o simples fato de ter feito a inscrição. A galera já está feliz só por ter se inscrito.

Juro, não consigo entender o que os motiva. Os jornais, sim, estão atrás de lucro, como sempre. Mas os inscritos, sério, não entendo. É para ver um jogador de futebol de perto? Se sim, pra quê? Se é pra conhecer gente nova, interagir, não precisava entregar tua força de trabalho de graça, convenhamos.

O grande negócio é que o pessoal vai estar trabalhando de graça pro COL (Comitê Organizador Local) e pra Fifa. É um mundo em que circula muita grana. Futebol é legal, esporte é ótimo e até nem sou radical em dizer que Copa e Olimpíadas não deveriam ter vindo pro Brasil. Mas trabalhar de graça pra esse povo?

Em quê esse trabalho voluntário vai ajudar o Brasil? Por que ele não é pago, considerando toda essa grana de que falei aí em cima?

O que eles fazem é explorar a mão de obra do trabalhador e transformar isso em uma coisa legal. Vergonhoso é os jornais esquecerem o jornalismo e o espírito crítico (será que ainda têm algum?) e aderirem a essa publicidade, comemorando junto. Sem em nenhum momento se perguntar por que isso é bom para o Brasil e para a cidadania.

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  1. ONG Cea
    27/08/2012 às 17:46

    A expectativa do COL é a de ter aproximadamente 1,5 mil voluntários por sede na Copa do Mundo, totalizando cerca de 18 mil recrutados. Na Copa das Confederações, o número deve ser de oito mil voluntários. “As pessoas vão sendo qualificadas ao longo do tempo. Primeiro identificamos as características e potencialidades de cada um e depois várias etapas se seguem, desde inserir os voluntários no mundo da Copa, pois muitos viram o evento pela televisão, mas não sabem como funciona a estrutura, até treiná-los nas funções e mentalidade sobre o que queremos”, explicou Rodrigo Hermida, gerente de voluntariado do COL, durante o 1º Seminário de Voluntariado da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, que ocorreu em maio, em Manaus.
    Olha a barbada o trabalho voluntário é por natureza um trabalho sem remuneração; o turno diário de trabalho voluntário durará até 10 horas; é necessário ter disponibilidade de pelo menos 20 dias corridos na época dos eventos. Se pegarmos o valor do salário mínimo R$ 622,00 e multiplicarmos pelo número de voluntários 18mil a cifra poupada pela FIFA World Cup Brasil 2014™ será de R$ 11,2 milhões.

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