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A visita de Obama e o retrocesso da política externa brasileira

com 10 comentários

Comentei aqui que era bastante significativo o fato de o presidente dos EUA vir ao Brasil depois de elegermos uma nova presidenta, e não o contrário, como seria de praxe. Disse ainda que eram eles, os quebrados americanos, que agora precisavam mais da nossa ajuda, e não nós da deles.

Não mudei de opinião. O que faltou foi o Planalto se dar conta disso e agir de acordo.

Diversas vezes, disse também que a política externa do governo Lula era a área que contabilizava mais acertos em todo o governo. Celso Amorim é reconhecido internacionalmente pela competência na execução da política. O mais fundamental foi a decisão do governo de recuperar a altivez do Brasil, valorizar sua soberania e conversar com o resto do mundo de igual para igual – como, aliás, deveria ser em todas as relações, de toda e qualquer nação.

Nos tempos de Lula e Amorim, nenhum representante do governo brasileiro foi submetido a constrangimentos, como o passado por Celso Lafer, o ministro de Fernando Henrique que tirou os sapatos para entrar nos Estados Unidos.

Agora o governo Dilma retrocede e, apesar da demonstração americana de interesse e respeito pelo Brasil ao vir para cá, baixa a cabeça para a comitiva de Obama. Guarda em casa a altivez conquistada por Lula. Antônio Patriota abre a lixeira para ir despejando aos poucos as conquistas de Celso Amorim.

Nossos ministros foram revistados por americanos em território brasileiro para participar de evento com Barack Obama. Em cima da hora, por medo de vaias, a comitiva de Obama desiste do discurso em público e o Theatro Municipal é obrigado a cancelar sua programação para receber o presidente americano. Moradores da Cidade de Deus são obrigados a sair de suas casas (!!) para a passagem de Obama pela favela. Isso sem falar que foi daqui que Obama ordenou a invasão à Líbia.

O problema não é demonstrar prestígio a um presidente de outra nação. Tampouco criar condições especiais para que uma cidade receba uma liderança assim com segurança e conforto, fazendo-lhe algumas de suas vontades. O problema está no nível das exigências feitas por essa liderança e a necessidade de o país se rebaixar para cumpri-las. Isso um governo soberano não pode deixar acontecer.

Humilhados moradores e ministros, Obama impõe a política agressiva de cunho imperialista a que os Estados Unidos estão acostumados há séculos e que o Brasil lutou de forma contundente por oito anos para mostrar que não se sujeitaria a ela.
É só ver os elogios ao governo destilados pela GloboNews e o resto de nossa imprensa conservadora e vassala que salta o alerta de que algo está errado.

Torçamos para que seja inexperiência ou mal-entendido, o que não parece. Se assim for, o mal existe, mas há tempo de consertá-lo. O problema é se essa for a orientação da política de relações internacionais do nosso Ministério. Aí vemos naufragar o motivo de maior orgulho que o Brasil pode ter de Lula frente ao restante do mundo.´

Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência da República / Divulgação

10 Respostas

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  1. quando kadafi mete bombas nos cidadãos do seu país que o contrariam, está certo?

    LF

    20/03/2011 em 20:44

  2. Caríssima, anote um comentário para debatermos anos adiante. A Presidenta mandou bem pra caceta nessa visita. Ignore os detalhes e melindres, vá por mim. A História nos dará o resultado.

    Leo Boechat

    20/03/2011 em 22:01

  3. Revistar ministros parece absurdo mesmo. Constrangimento desnecessário.

    Por outro lado, convenhamos, a segurança da presidência dos Estados Unidos sabe que a ficha de uns quantos de nossos inúmeros ministros não é lá muito limpa, não é mesmo?

    Cleberson Silva

    21/03/2011 em 0:00

  4. O discurso de Obama ontem no municipal do Rio foi muito bom. Não se pode exigir em oratória desse tipo grandes conteúdos, mas o presidente norte-americano disse exatamente aquilo que a Dilma falou na eleição do ano passado. O Brasil é um país que mudou, que está fazendo o que todos os países deveriam fazer: inclusão social: inserindo mais e mais brasileiros na classe média, porque é isso o que efetivamente importa.

    Seria melhor se Obama tivesse discursado em praça pública, como era a ídéia inicial. Mas infelimente parece que nosso país não está preparado para isso. Os agentes da intolerância continuam firmes por ai. O sentimento antiamericano que já foi maior, ainda é grande no seio da população brasileira. Carregamos ainda o nosso complexo de vira-lata.

    Para mim pouco importa se Obama deu a ordem de atacar a Libia de dentro do Palácio do Planalto e por isso se atrasou na reunião com a Dilma. Muita gente está perplexa e indignada com isso. Ele é o presidente dos EUA e estava sendo criticado por ser vacilão. Depois que Sarkô determinou que os caças Rafale bombardeasse alvos do ditador, de acordo com resolução aprovada pela ONU, não havia outra alternativa senão seguir os franceses.

    E o Brasil se absteve na ONU quanto ao ataque à Libia. É direito nosso, mas inquestionavelmente a nossa política externa no governo Dilma é bem melhor do que do governo Lula. Não tenho saudades nenhuma do Celso Amorim.

    FHC que sentou na mesma mesa de Dilma e Obama elogiou muito a nossa presidente. Nunca antes na história recente deste país um oposicionista louvou tanto um governo como FHC. Isso também é uma demonstração de que estamos superando nossas divergências e nosso complexo de vira lata.

    Carlos Maia

    21/03/2011 em 11:08

  5. [...] os principais acontecimentos da visita, Cristina Rodrigues aponta o que chama de retrocesso da política externa brasileira: O problema não é demonstrar [...]

  6. Ótima análise. Mal deu tempo de comemorar a atitude do Brasil em se abster na votação contra a Líbia – que foi corretíssima -, e Patriota arruma uma visita desastrosa de Obama, com direito a um show de horrores protocolar.

  7. [...] the main events related to the visit, Cristina Rodrigues [pt] points out what she calls the regression of Brazil’s foreign policy: Nossos ministros foram [...]

  8. [...] the main events related to the visit, Cristina Rodrigues [pt] points out what she calls the regression of Brazil’s foreign policy: Nossos ministros foram [...]

  9. [...] the main events related to the visit, Cristina Rodrigues [pt] points out what she calls the regression of Brazil’s foreign policy: Nossos ministros foram [...]

  10. [...] podsumowaniu Podsumowując najważniejsze wydarzenia związane z tą wizytą Cristina Rodrigues [por.] zwraca uwagę na to co nazywa regresem w brazylijskiej polityce zagranicznej: Nossos [...]


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